A questão da reprodução propriamente dita é em parte explorada por F. Engels em “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”. Engels mostra como as mais variadas formas de organização familiar e reprodutiva existiram ao longo do tempo e do espaço, e aponta para a necessidade de certas formas terem se tornado norma em certos contextos, devido a questões estruturais das sociedades.
Em particular, o domínio patriarcal, assim como a propriedade privada, em um dado momento tornou-se uma norma em diversas sociedades, e expandiu-se até se tornar uma regra praticamente universal.
O poder e as posses de cada núcleo familiar se concentraram assim nas mãos do patriarca, e a garantia de manutenção dessas posses na linhagem só era possível se a sua prole fosse reconhecida. Portanto, foi necessário restringir a liberdade sexual da mulher na instituição do casamento.
Hoje em dia, com a independência financeira e sexual da mulher, a vinculação do casamento com a maternidade tornou-se menos rígida. Muitas vezes também o casal homossexual quer ter filhos, ou um homem e uma mulher celibatários anseiam por uma criança.
No primeiro caso, é possível recorrer à chamada barriga de aluguel, mas no caso de pessoas que optarem por não se casar está surgindo com bastante ímpeto a chance da coparentalidade. O objetivo da coparentalidade é dividir responsabilidades e criar uma criança em regime de guarda compartilhada, sem romance e nem sexo entre os pais.
Suponhamos que Maria deseja ter um filho, mas, seja porque não deseja se casar com um homem, seja porque não encontrou a pessoa a quem se vincular romanticamente, esse sonho ameaça naufragar.
Ora, temos visto que alguns casais, sejam eles de orientação homossexual ou heterossexual, unem-se sem objetivos românticos ou sexuais, mas apenas como parceiros no objetivo de fazerem e criarem um filho juntos.
Isso é bastante conveniente para a criança, que terá apoio de pai e mãe, ou de dois pais e duas mães. Além disso, o suporte mútuo dos pais entre si estará presente. Convenhamos que, para a mulher, estar sem companheiro desde a gestação até o pleno desenvolvimento da criança humana, que toma tempo, atenção
constante e alto dispêndio econômico é algo árduo, sendo, portanto, bastante interessante contar com um parceiro nessa tarefa.
O mesmo se aplica ao homem, que, ao invés de contar com a boa vontade de pessoa da família, nos termos da Resolução n. 2.013/2013 do Conselho Federal de Medicina (que permite a barriga de aluguel neste caso), para depois arcar sozinho com a guarda e manutenção da criança, é muito mais interessante
encontrar uma parceira por quem tenha fraterna amizade e suficiente confiança.